É possível desbloquear dinheiro no SisbaJud enquanto a empresa renegocia dívida bancária?
Sim. Você pode pedir ao juiz o desbloqueio total ou parcial de valores atingidos pelo SisbaJud, ou a suspensão temporária de novas ordens, enquanto negocia a dívida com o banco. O pedido costuma ser feito na própria execução, por tutela de urgência ou por acordo homologado.
O juiz não libera o dinheiro apenas porque a empresa enfrenta dificuldades. Você precisa demonstrar quanto foi bloqueado, quais despesas vencem nos próximos dias e por que manter todo o valor retido pode interromper a operação e reduzir a capacidade de pagamento.
Há duas soluções comuns:
- Suspensão temporária: interrupção de novas buscas e bloqueios por período determinado, como 30 ou 60 dias;
- Desbloqueio parcial: liberação de valores destinados a salários, tributos e despesas operacionais, mantendo o restante como garantia.
Extratos, folha de pagamento, DARFs, guias fiscais e fluxo de caixa são mais úteis do que uma alegação genérica de crise. O pedido precisa mostrar o valor exato necessário e a finalidade de cada parcela.
Quais argumentos ajudam no pedido de desbloqueio?
O bloqueio integral pode impedir o próprio pagamento da dívida
A execução deve buscar a satisfação do credor sem impor sacrifício maior do que o necessário ao devedor, desde que a garantia do banco permaneça preservada.
Imagine a “Metalúrgica Alfa Ltda.” com R$ 250 mil bloqueados. A folha e os tributos do mês somam R$ 180 mil. Se o fluxo de caixa indicar que a empresa consegue continuar faturando e pagar parcelas com os R$ 70 mil restantes, o pedido pode requerer a liberação dos R$ 180 mil, com manutenção do saldo como garantia.
Um fluxo projetado para 30 a 90 dias deve indicar:
- receitas previstas e contratos que sustentam essas entradas;
- salários, encargos, tributos, aluguel e insumos;
- valor disponível para a renegociação bancária;
- efeito da paralisação sobre faturamento e empregos.
Salários, encargos e tributos exigem prova imediata
O pedido ganha força quando o bloqueio ameaça compromissos com vencimento próximo. Mostre, por exemplo, que a folha de R$ 180 mil vence em cinco dias, que há R$ 35 mil de FGTS e INSS a recolher e que a conta atingida é usada habitualmente para esses pagamentos.
Também podem ser apresentados DARFs e guias estaduais ou municipais. O objetivo não é obter dinheiro livre para qualquer uso, mas liberar o valor necessário para obrigações identificadas e documentadas.
A paralisação afeta funcionários, fornecedores e clientes
O impacto precisa ser concreto. Uma empresa com 40 empregados, contrato de fornecimento de matéria-prima e pedidos em produção pode demonstrar que a falta de R$ 60 mil para comprar insumos interromperá entregas e reduzirá o faturamento do mês seguinte.
Contratos com fornecedores e clientes, pedidos de compra, notificações de suspensão de serviço e relação de empregados ajudam a demonstrar esse risco.
A negociação com o banco precisa aparecer no processo
Se o gerente enviou uma proposta ou houve reunião para parcelar a dívida, junte e-mails, mensagens, protocolos e minutas. A documentação mostra que você não está tentando esconder patrimônio, mas precisa de prazo para transformar faturamento em pagamento.
Uma proposta concreta é melhor que a frase “a empresa está negociando”. Exemplo: entrada de R$ 40 mil, seguida de 18 parcelas de R$ 22 mil, condicionada à liberação de R$ 90 mil para manter a operação.
Quais documentos devem acompanhar o pedido?
- Extratos dos últimos 90 dias: entradas, saídas, saldo e uso da conta para folha ou tributos;
- Comprovante do bloqueio: intimação, valor atingido e relatório ou documento fornecido pelo banco;
- Folha de pagamento: empregados, salários, holerites e encargos a vencer;
- Obrigações fiscais: DARFs, guias estaduais e municipais e parcelas de acordos tributários;
- Fluxo de caixa de 30 a 90 dias: receitas previstas, despesas essenciais e valor mínimo para continuar funcionando;
- Provas da negociação: propostas, e-mails, atas de reunião e protocolos do banco;
- Contratos operacionais: aluguel, fornecedores indispensáveis e clientes com entregas em andamento.
Se também houver penhora de faturamento por cartão, PIX ou boletos, pode ser necessário discutir o percentual retido e a forma de fiscalização. Veja também o conteúdo sobre penhora de faturamento e parcelamento judicial.
Onde o pedido deve ser apresentado?
Pedido incidental na execução ou nos embargos
Quando já existe execução bancária, o caminho mais direto costuma ser uma petição no próprio processo. Ela pode requerer a liberação de valores determinados para folha, tributos e despesas indispensáveis, a manutenção do saldo remanescente e uma tutela de urgência.
A urgência precisa ser demonstrada por datas: folha vencendo em três dias, energia com aviso de corte ou matéria-prima necessária para entrega contratada na semana seguinte.
Ação autônoma em situações específicas
Uma ação própria pode ser avaliada quando existem vários processos, decisões conflitantes ou dificuldade de obter resposta no processo de execução. O pedido pode limitar o desbloqueio a 30 ou 60 dias, exigir plano de pagamento e oferecer caução.
Acordo homologado com ajuste no SisbaJud
Se o banco aceitar negociar, o acordo deve definir entrada, número de parcelas, encargos, vencimentos e o que ocorrerá com os bloqueios durante o cumprimento. Depois, as partes pedem a homologação e o levantamento total ou parcial do valor necessário para cumprir a entrada.
Substituição da garantia
O juiz pode exigir outra garantia antes de liberar o dinheiro. Entre as alternativas estão:
- seguro-garantia judicial compatível com o valor executado;
- imóvel com matrícula regular e avaliação suficiente;
- percentual do faturamento, depositado em conta específica e acompanhado por prestação de contas.
A mesma lógica aparece em pedidos envolvendo penhora de faturamento em maquininha com tutela de urgência: liberar o caixa exige mostrar como o crédito continuará protegido.
Como funciona o pedido na prática?
- Organização dos documentos: você e o contador reúnem extratos, intimação, folha, tributos, contratos, fluxo de caixa e tratativas com o banco.
- Definição do valor: o advogado separa, por exemplo, R$ 180 mil para folha e R$ 70 mil para tributos, em vez de pedir “liberação para despesas”.
- Protocolo da petição: são descritos data, valor, contas atingidas, risco operacional e finalidade de cada quantia.
- Análise pelo juízo: o banco pode ser ouvido e, em alguns casos, pode haver exigência de demonstrativos ou perícia contábil simplificada.
- Cumprimento da decisão: após a ordem, é preciso verificar a expedição no SisbaJud e confirmar se o banco efetivamente liberou o dinheiro.
Não existe prazo fixo para a decisão. Liminares podem ser analisadas em poucos dias ou demorar algumas semanas, conforme a vara e a urgência comprovada. A homologação de um acordo pode levar de um a dois meses.
Quais despesas têm mais chance de serem liberadas?
Pedidos específicos costumam ser melhor avaliados que solicitações genéricas. Um bloqueio de R$ 300 mil, por exemplo, pode justificar pedido de R$ 200 mil para folha de R$ 180 mil e encargos comprovados.
Tributos com vencimento em cinco dias também podem ser incluídos, desde que as guias estejam anexadas. Despesas operacionais exigem vínculo direto com a continuidade da atividade, como energia de uma fábrica, aluguel do galpão ou compra da matéria-prima principal.
Algumas decisões liberam de 20% a 40% do saldo para despesas essenciais ou fixam valor suficiente para um mês, com reavaliação posterior. Esse percentual não é automático; depende da prova, da garantia disponível e da prática do juízo.
O que costuma prejudicar o pedido?
- Solicitar valor sem finalidade: indique quem receberá, quanto será pago e em qual data;
- Não comprovar a negociação: anexe propostas e protocolos do banco;
- Pedir desbloqueio total sem garantia: ofereça seguro, imóvel ou plano de pagamento quando possível;
- Usar conta sem movimentação compatível: explique entradas, saídas e a razão de o dinheiro estar concentrado naquela conta;
- Ignorar outros riscos: aval, fiança, alienação fiduciária e execuções paralelas podem alterar a estratégia patrimonial dos sócios.
O próximo passo é levantar hoje o valor bloqueado, as despesas que vencem nos próximos 15 dias e os documentos que comprovam cada uma. Com esse material, o advogado consegue avaliar se o melhor caminho é pedir desbloqueio na execução, oferecer garantia alternativa ou formalizar um acordo com o banco.
Acompanhe e fale com a gente: Instagram · WhatsApp
Perguntas frequentes
Posso pedir desbloqueio mesmo com execução em andamento?
Sim. O pedido geralmente é feito no próprio processo de execução, por tutela de urgência ou por acordo homologado, demonstrando urgência e finalidade do valor solicitado.
Quais documentos são essenciais para obter a liberação?
Extratos dos últimos 90 dias, comprovante do bloqueio, folha de pagamento, DARFs/guias fiscais, fluxo de caixa projetado e provas das tratativas com o banco.
O juiz costuma liberar valores para qualquer despesa operacional?
Não. A liberação é orientada por prova: salários, tributos e despesas que comprovadamente garantem a continuidade da atividade têm mais chance de serem autorizadas.
Quanto tempo leva para o juiz decidir sobre o desbloqueio?
Não há prazo fixo; liminares podem sair em poucos dias quando a urgência está bem comprovada, mas decisões podem demorar semanas dependendo da vara e complexidade.