Busca e apreensão de bens empresariais: o que fazer nos primeiros 10 dias

Recebeu notificação de busca e apreensão de veículo empresarial? Saiba quais documentos reunir, como negociar com o banco e as ações urgentes nos primeiros 10 d

Busca e apreensão de veículo empresarial: o que fazer nos primeiros 10 dias

Se sua empresa recebeu notificação de busca e apreensão de caminhão, van ou veículo de entrega, procure um advogado imediatamente. O prazo de reação varia conforme o procedimento e os documentos do caso; por isso, não trate “10 dias” como prazo universal.

Na prática, a defesa precisa mostrar duas coisas: existe dúvida concreta sobre o débito ou sobre a regularidade da medida, e o veículo é necessário para manter o faturamento. Dizer apenas que a empresa “passará por dificuldades” costuma ser pouco. É melhor demonstrar, por exemplo, que um caminhão responde por 70% das entregas e sustenta R$ 140 mil de receita mensal.

Quais documentos reunir nas primeiras 48 horas?

Organize os arquivos antes de discutir a estratégia. A defesa depende do contrato, da evolução da dívida e da função econômica do veículo.

  • Notificação, mandado ou processo: reúna a cópia integral e o número do processo, se houver.
  • Contrato de financiamento ou alienação fiduciária: inclua a Cédula de Crédito Bancário (CCB), aditivos, confissões de dívida e renegociações.
  • Pagamentos recentes: separe extratos, boletos, débitos automáticos e comprovantes de PIX dos últimos 12 meses.
  • CRLV: verifique se o veículo está em nome da empresa ou de um sócio.
  • Seguro: junte a apólice e os comprovantes de pagamento.
  • Provas de operação: notas fiscais de frete, ordens de serviço, contratos de clientes e comprovantes de entrega.
  • Motoristas e ajudantes: informe nomes, funções e vínculos, com registros ou contratos disponíveis.

Digitalize os documentos em PDF e use nomes objetivos, como 2024-08-15_comprovante-parcela-05.pdf. Esse cuidado reduz o tempo para localizar uma prova quando o prazo judicial estiver correndo.

Como provar que o veículo é essencial ao negócio

O juiz precisa relacionar o veículo à receita da empresa. Para isso, apresente rastreamento por GPS, rotas de entrega, ordens de serviço vinculadas à placa e canhotos assinados por clientes.

Um contrato de fornecimento de bebidas no valor de R$ 80 mil por mês, com obrigação de entrega pela própria empresa, é mais convincente do que uma declaração genérica de que o caminhão é “importante”. Relacione o bem a contratos, funcionários e valores mensais.

Também pode ajudar um orçamento de locação de veículo semelhante. Se a substituição custar R$ 18 mil por mês e a empresa não tiver caixa para suportar esse gasto, o documento explica por que a apreensão pode interromper a operação.

Como negociar com o banco antes da apreensão

Envie uma notificação extrajudicial ao banco ou à financeira por e-mail institucional e carta com aviso de recebimento. Identifique o contrato, o veículo e o processo, se já existir.

Peça a suspensão da medida por prazo determinado e apresente uma proposta que possa ser cumprida. Por exemplo: R$ 20 mil à vista em cinco dias, mais o saldo em 24 parcelas. Se houver outro imóvel ou veículo disponível, informe a possibilidade de oferecer garantia alternativa.

  • Indique pagamentos que não foram lançados no extrato.
  • Questione juros, multas, seguros e tarifas sem descrição clara.
  • Peça a planilha de evolução do débito.
  • Guarde protocolos, e-mails e respostas do credor.

Uma proposta como “a empresa pretende regularizar a situação” não permite avaliar nada. Já uma oferta de R$ 25 mil em 10 dias e parcelas de R$ 8 mil por 24 meses pode ser analisada pelo banco e apresentada ao juiz como demonstração de boa-fé.

Que problemas do contrato podem ser discutidos?

Examine a CCB, o contrato de alienação fiduciária e todos os aditivos. A análise deve conferir se o saldo cobrado corresponde ao que foi contratado e ao que efetivamente foi pago.

  • Tarifas sem previsão clara ou lançadas em duplicidade.
  • Seguro incluído sem contratação específica ou sem informação adequada.
  • Juros compostos cobrados de modo incompatível com o contrato.
  • Parcelas pagas que não aparecem no extrato.
  • Diferença relevante entre o valor contratado e o saldo apresentado.

Anatocismo não se prova apenas com a expressão “juros sobre juros”. É preciso comparar a fórmula contratada, a taxa aplicada e a evolução do saldo. Uma planilha elaborada por contador ou profissional especializado pode indicar se a cobrança merece perícia contábil.

Falhas na constituição da mora também podem ser relevantes. Confira o endereço usado na notificação, a comprovação de entrega e os documentos anexados ao processo. Uma notificação enviada para endereço incorreto ou uma inicial sem documento essencial pode justificar pedido de suspensão, conforme as circunstâncias.

Quais argumentos podem sustentar o pedido urgente?

O pedido deve demonstrar o risco imediato e a plausibilidade da defesa. Se o caminhão for retirado, a empresa pode perder contratos, deixar entregas pendentes e atrasar salários. Apresente números: “o veículo atende contratos que representam 60% do faturamento mensal de R$ 250 mil”.

A plausibilidade pode decorrer de pagamentos não computados, encargos questionáveis, divergência no saldo ou falha na notificação. A discussão não precisa estar resolvida no pedido inicial, mas deve estar apoiada em documentos verificáveis.

Também é possível oferecer uma alternativa à apreensão, como depósito judicial parcial, imóvel não operacional, seguro-garantia, fiança bancária ou outro veículo que não seja necessário à atividade.

Em determinadas situações, a empresa pode pedir penhora de faturamento em percentual controlado, em vez da retirada do principal instrumento de trabalho. Um fluxo de caixa que indique capacidade de destinar 15% de R$ 200 mil mensais — R$ 30 mil — torna a proposta mais concreta. Veja também as possibilidades relacionadas à penhora de faturamento.

A mesma lógica pode ser usada quando há bloqueio de contas pelo SisbaJud. Dependendo da origem dos valores e do impacto na folha ou na operação, pode ser cabível discutir a substituição do bloqueio SisbaJud.

Como estruturar a petição de urgência

A petição precisa facilitar a conferência do caso. O pedido liminar deve aparecer logo no início, seguido de uma narrativa curta: contrato, pagamentos, atraso, valor cobrado e função do veículo.

  • Pedido: suspensão da apreensão ou restituição provisória do bem, se ele já tiver sido levado.
  • Contrato: CCB, alienação fiduciária, aditivos e extrato atualizado.
  • Pagamentos: comprovantes e planilha com valores pagos e contestados.
  • Operação: notas fiscais, contratos de clientes, folha dos motoristas e relatórios de rotas.
  • Alternativa: caução, seguro-garantia, outro bem ou percentual de faturamento.
  • Provas: perícia contábil, documentos complementares e testemunhas, quando necessários.

Peça expressamente a apreciação urgente e explique o que ocorrerá em 24 ou 48 horas sem o veículo. O juiz pode avaliar o pedido rapidamente, mas não existe garantia de decisão nesse intervalo.

Evite petição sem procuração válida, sem demonstrativo do débito ou sem prova de faturamento. Também não use declarações de funcionários como substitutas de contratos, notas fiscais e registros contábeis.

O que fazer se o oficial de justiça aparecer?

Não confronte o oficial nem tente impedir fisicamente o cumprimento do mandado. Registre o estado do veículo, do pátio e dos equipamentos, acompanhe a lavratura do auto e entregue ao advogado uma cópia dos documentos recebidos.

Se o bem estiver em nome da empresa, os sócios não respondem automaticamente com patrimônio pessoal. A situação muda se houver aval, fiança ou outra garantia pessoal na CCB ou no contrato. A titularidade do veículo e a garantia assinada precisam ser examinadas separadamente.

Roteiro para os 10 dias seguintes

  1. Dias 1 e 2: reúna contratos, comprovantes, notificações e provas de uso empresarial. Envie a proposta formal ao banco.
  2. Dias 3 a 5: avalie o saldo, prepare a defesa e ofereça garantia alternativa ou penhora controlada de faturamento, se fizer sentido.
  3. Dias 6 a 8: acompanhe o processo, complemente as provas e providencie orçamento de locação ou declaração contábil.
  4. Dias 9 e 10: responda à contraproposta do banco e ajuste a estratégia conforme a decisão judicial.

Se o mandado já foi expedido ou o veículo está em risco de apreensão, reúna os documentos hoje e encaminhe o processo a um advogado que atue com contratos bancários empresariais. A escolha entre pedir suspensão, discutir os encargos, oferecer outra garantia ou negociar depende do contrato e dos números da sua empresa.

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Perguntas frequentes

Qual é o prazo para reagir a uma notificação de busca e apreensão?

Não existe prazo universal de 10 dias: o tempo de reação depende do procedimento e dos documentos. Em prática, reagir nas primeiras 48 horas com provas e proposta de negociação aumenta as chances de sucesso.

Que provas comprovam que o veículo é essencial ao negócio?

Apresente contratos de fornecimento vinculados à placa, notas fiscais de frete, rastreamento por GPS, ordens de serviço e canhotos assinados por clientes que mostrem a receita gerada pelo veículo.

Posso oferecer alternativa à apreensão para convencer o credor ou o juiz?

Sim. Depósito judicial parcial, caução, seguro-garantia, fiança bancária, outro bem ou proposta de penhora de percentual do faturamento são alternativas úteis para preservar a operação.

O que fazer se o oficial de justiça chegar para cumprir o mandado?

Não confronte o oficial; registre o estado do veículo e do pátio, acompanhe a lavratura do auto, recolha cópia dos documentos e entregue tudo ao advogado para medidas jurídicas cabíveis.

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