Bloqueio judicial SisbaJud: o que fazer nas primeiras horas

SisbaJud bloqueou a conta PJ? Saiba os passos imediatos para liberar salários, proteger recebíveis e evitar fraude à execução.

Bloqueio SisbaJud em conta PJ de recorrência: o que fazer nas primeiras horas

Se o SisbaJud bloqueou a conta usada para receber assinaturas ou mensalidades, reúna imediatamente o processo, os extratos, a folha de pagamento e a previsão de recebimentos. Com esses documentos, seu advogado pode pedir ao juiz o desbloqueio parcial do valor necessário para salários, encargos e fornecedores que mantêm a operação funcionando.

Não transfira dinheiro para conta de sócio, não saque valores e não tente contornar o bloqueio. Essas movimentações podem ser interpretadas como tentativa de fraude à execução e dificultar novos pedidos de liberação.

O que conferir no banco depois do bloqueio

Descubra o alcance da ordem judicial

Localize o número do processo e peça ao banco, por canal oficial, a confirmação do bloqueio. Verifique se a ordem atingiu apenas uma conta ou também aplicações, conta de pagamentos, conta de recebíveis e outras contas da empresa.

  • Valor bloqueado e eventual limite da ordem, como R$ 150.000,00;
  • serviços interrompidos, incluindo PIX, TED, boletos e débitos automáticos;
  • existência de retenção sobre créditos futuros;
  • contas ou produtos bancários que continuam operando.

Peça extratos completos dos últimos 90 dias e uma resposta por escrito. O documento ajuda a demonstrar no processo se o bloqueio atingiu apenas um saldo ou paralisou a entrada de receitas da empresa.

Separe os dados da receita recorrente

Uma empresa SaaS, um clube de assinatura ou uma escola que recebe mensalidades precisa provar que o dinheiro bloqueado faz parte de um fluxo previsível. Solicite ao financeiro ou ao sistema de cobrança um relatório dos últimos seis meses, com datas, valores e quantidade de assinantes.

Junte também a previsão dos próximos 30 dias e uma planilha que compare a receita recorrente com a folha, os encargos e os fornecedores essenciais. Relatórios de Iugu, Asaas, Stripe ou Pagar.me podem mostrar ticket médio, faturamento mensal recorrente e número de clientes.

Se muitos pagamentos vêm de pessoas físicas ou pequenas empresas, identifique essa característica nos documentos. O bloqueio pode comprometer a continuidade de serviços usados por centenas de clientes, e não apenas o saldo disponível naquele dia.

Como pedir dinheiro para pagar salários e fornecedores

Peça um desbloqueio parcial com valor fechado

O pedido deve indicar quanto a empresa precisa e como cada real será usado. “Desbloqueio para pagar as contas” é insuficiente.

Imagine uma empresa com folha de R$ 120.000,00, encargos de R$ 30.000,00 e fornecedores críticos de R$ 50.000,00 nos próximos dias. O pedido pode ser de R$ 200.000,00, acompanhado da folha, das guias e das notas fiscais correspondentes.

Informe a data de vencimento. Se os salários vencem até o dia 5, anexe a folha atual, os comprovantes de pagamentos anteriores e a relação dos empregados. Para prestadores PJ indispensáveis, apresente contrato, nota fiscal e vencimento entre os próximos 7 e 15 dias.

Ofereça controle sobre o dinheiro liberado

Se a liberação direta parecer arriscada ao juízo, proponha uma conta vinculada, com uso limitado às despesas indicadas e prestação de contas. Outra possibilidade é o alvará direcionado para pagamento de salários e encargos.

A empresa também pode oferecer caução ou outro bem penhorável, como veículo, máquina, aplicação ou imóvel. Documente a propriedade, o valor e a disposição de apresentar o bem em penhora ou substituir parcialmente o bloqueio em dinheiro.

O pedido fica mais consistente quando combina valor exato, período curto, destinação comprovada e contrapartida. O objetivo não é retirar toda a garantia do credor, mas preservar o caixa mínimo para a empresa continuar faturando.

Como reduzir a necessidade de caixa nos próximos sete dias

Enquanto o pedido judicial é analisado, negocie com fornecedores e locador. Um fornecedor que aceite R$ 60.000,00 em três parcelas semanais de R$ 20.000,00 reduz o valor necessário para a liberação imediata.

Formalize cada ajuste por e-mail ou termo assinado. Guarde as propostas, os vencimentos alterados e os comprovantes. Esses documentos mostram que a empresa está tentando reduzir o prejuízo e evitar a paralisação.

Também é possível abordar diretamente o banco ou outro exequente. Uma proposta pode prever entrada de 10%, saldo em 24 parcelas e garantia sobre recebíveis, veículo, imóvel ou participação societária. Peça que o credor informe ao juízo eventual concordância com a redução ou suspensão parcial do bloqueio.

Tenha cuidado com crédito emergencial

Antecipação de recebíveis, factoring e capital de giro digital podem aliviar o caixa, mas também podem criar uma dívida mais cara. Antes de contratar, confirme se a conta de destino não está bloqueada e analise o custo efetivo total.

Não use uma nova operação para esconder patrimônio ou retirar ativos do alcance da execução. Dependendo da estrutura, pode ser mais adequado negociar uma cessão de receitas organizada ou uma penhora de faturamento controlada.

Documentos que devem acompanhar o pedido

  • número do processo e comprovante da ordem SisbaJud;
  • extratos das contas atingidas, preferencialmente dos últimos seis meses;
  • folha atual, relação de empregados e encargos de INSS e FGTS;
  • comprovantes de salários pagos nos meses anteriores;
  • contratos e notas fiscais de fornecedores essenciais;
  • relatórios de assinaturas, recebíveis, ticket médio e previsão de 30 dias;
  • planilha com o valor exato pedido e sua destinação;
  • documentos de bens ou aplicações oferecidos como garantia.

Para um serviço contínuo, como hospedagem em nuvem ou suporte técnico, inclua contratos, escala de plantão e notas fiscais que mostrem o risco de interrupção. Quanto mais direta for a relação entre o valor liberado e a despesa comprovada, menos espaço haverá para alegações genéricas.

O que pode ser discutido depois da urgência

Revise o contrato que originou a execução

O bloqueio resolve apenas o efeito imediato. Depois, analise o contrato bancário, a Cédula de Crédito Bancário (CCB), os aditivos e a memória de cálculo apresentada pelo banco.

A avaliação pode identificar juros abusivos, anatocismo — cobrança de juros sobre juros —, tarifas não contratadas, serviços não solicitados e problemas formais no título. Esses pontos podem fundamentar embargos à execução ou ação revisional, conforme o caso.

Compare o cálculo do banco com uma planilha independente. Se o valor exigido estiver acima do devido, a empresa pode discutir excesso de execução e buscar a liberação de valores bloqueados indevidamente. Em operações complexas, pode ser necessária perícia contábil.

Peça a substituição da penhora quando houver alternativa

Dependendo dos documentos e da situação financeira, podem ser avaliados o pedido de substituição do dinheiro por outro bem, embargos à execução e tutela para preservar o montante operacional. A medida precisa considerar o processo concreto, a garantia oferecida e o risco de inadimplência.

Se houver acordo, o advogado pode pedir a substituição do bloqueio por penhora de bem, cessão de recebíveis ou penhora de faturamento com percentual e prazo definidos. Uma retenção controlada tende a ser menos destrutiva que o bloqueio integral da conta.

Checklist para os próximos sete dias

Dia 0 a 1

  • Obtenha o número do processo e a ordem de bloqueio;
  • peça ao banco extratos e esclarecimento escrito sobre o alcance da medida;
  • gere relatórios de recebíveis, folha e fornecedores;
  • evite movimentações atípicas sem orientação jurídica.

Dia 2 a 3

  • calcule o valor necessário para os próximos 7 a 15 dias;
  • protocole o pedido de desbloqueio parcial, alvará ou conta vinculada;
  • inicie negociações com o exequente e os fornecedores.

Dia 4 a 7

  • cumpra eventual depósito ou garantia oferecida;
  • acompanhe diariamente o processo;
  • guarde comprovantes de cada pagamento realizado com o valor liberado;
  • se não houver decisão, reavalie acordo, recebíveis e despesas imediatas.

Separe hoje o processo, os extratos, a folha e a previsão de recebimentos. Com esse conjunto em mãos, um advogado especializado em direito bancário empresarial poderá definir o valor do pedido, a garantia possível e a defesa contra a dívida executada.

Acompanhe e fale com a gente: Instagram · WhatsApp

Perguntas frequentes

Quanto tempo leva para obter um desbloqueio parcial via alvará ou conta vinculada?

Depende do juízo e da complexidade do processo, mas decisões liminares podem sair em poucas horas a dias. Pedidos bem documentados (folha, recibos, previsão de recebíveis) aumentam a chance de decisão rápida.

Posso transferir valores para outra conta da empresa durante o bloqueio?

Não; movimentações sem ordem judicial podem ser interpretadas como tentativa de fraude à execução. Qualquer transferência deve ser autorizada pelo juiz ou formalmente acordada com o credor.

Que documentos o banco deve fornecer após o bloqueio SisbaJud?

Peça confirmação escrita da ordem, extratos dos últimos meses, lista de contas e produtos bloqueados e informação sobre retenção de créditos futuros. Esses documentos são essenciais para fundamentar o pedido de desbloqueio.

A antecipação de recebíveis é alternativa segura durante o bloqueio?

Pode aliviar o caixa curto prazo, mas costuma ter custo elevado e exige conta não bloqueada; analise o CET e evite operações que possam prejudicar a defesa contra a execução. Em muitos casos, cessionária organizada ou penhora de faturamento controlada são soluções melhores.

ESPECIALISTAS EM DIREITO BANCÁRIO

Seu problema com o banco pode ter solução jurídica antes que o prejuízo aumente.

Entenda seus direitos e saiba quais caminhos podem reduzir impactos financeiros e proteger seu patrimônio.

Leia também

Bloqueio judicial SisbaJud: o que fazer nas primeiras horas

SisbaJud bloqueou a conta PJ? Saiba os passos imediatos para liberar salários, proteger recebíveis e evitar fraude à execução.

Alienação fiduciária: como agir na busca e apreensão de bens empresariais

Recebeu mandado de busca e apreensão por alienação fiduciária? Saiba passos urgentes, documentos essenciais e como proteger a empresa.

Bloqueio judicial SisbaJud: seu marketplace pode ser afetado?

Saiba quando o SisbaJud alcança repasses de marketplaces, quais documentos provarão que parte do saldo não é da empresa e o que pedir ao juiz.

Penhora de faturamento: chargeback e estorno interrompem a penhora?

Chargeback ou estorno não anulam automaticamente penhora de faturamento; saiba quando provar perda legítima e como pedir revisão ao juiz.

Penhora de faturamento: proteger folha e tributos em execução

Saiba como pedir limite ou suspensão da penhora de faturamento para proteger folha e tributos e quais documentos apresentar ao juiz e ao banco.

Execução de avalista CCB: o que fazer nas primeiras 72 horas

Recebeu execução como avalista de CCB? Saiba os passos urgentes nas primeiras 72 horas para proteger contas, revisar a CCB e preparar defesa.
plugins premium WordPress

ENTRE EM CONTATO

PREENCHA O FORMULÁRIO ABAIXO E ENVIE-NOS UMA MENSAGEM

This site is protected by reCAPTCHA and the Google Privacy Policy and Terms of Service apply.