Penhora de faturamento: o que fazer nos primeiros 10 dias

Penhora de faturamento e recebíveis: medidas urgentes nos 10 primeiros dias para preservar caixa, folha e tributos. Saiba o que reunir e pedir ao juiz.

Penhora de faturamento e recebíveis de cartão: o que sua empresa pode fazer nos primeiros 10 dias?

Se o banco ajuizou execução de uma Cédula de Crédito Bancário (CCB) e conseguiu bloquear contas, faturamento ou recebíveis de cartão, você precisa agir antes que a retenção paralise a operação. O pedido pode incluir suspensão ou redução do SisbaJud, liberação de valores para despesas essenciais e substituição da penhora por seguro garantia, fiança bancária ou depósito parcial.

Os primeiros 10 dias são úteis para reunir documentos, atacar erros aparentes na cobrança e demonstrar ao juiz quanto a empresa precisa para pagar folha, tributos e fornecedores. O prazo de defesa, porém, não deve ser confundido com esse período de reação ao bloqueio.

Como a execução da CCB atinge as contas e as vendas da empresa

O que o banco apresenta ao juiz

Na execução, o banco costuma juntar a CCB, o demonstrativo do débito e pedidos de atos constritivos. Entre as medidas mais comuns estão:

  • penhora de faturamento, sobre percentual das vendas ou dos recebíveis;
  • bloqueio via SisbaJud nas contas vinculadas ao CNPJ;
  • ordem às adquirentes, como Cielo, Rede e Stone, para reter e depositar recebíveis em juízo.

Exemplo: o Banco X cobra R$ 800.000,00 com base em uma CCB e pede bloqueio imediato até esse limite, inclusive sobre vendas futuras no cartão.

Quando o bloqueio aparece

Depois de receber a petição, o juiz analisa a citação da empresa e os pedidos urgentes. Dependendo da fundamentação apresentada pelo banco, o SisbaJud pode ser utilizado antes de a empresa tomar conhecimento formal da execução. Em muitos fóruns, a ordem eletrônica é cumprida entre 24 e 72 horas após o protocolo.

Na prática, o primeiro sinal pode ser uma conta sem saldo disponível, um repasse de cartão que não entrou ou uma mensagem da adquirente informando depósito judicial.

Por que a retenção integral pode quebrar o caixa

Imagine uma empresa que fatura R$ 300.000,00 por mês e recebe 80% das vendas no cartão. Se a adquirente retiver tudo, a empresa pode ficar sem dinheiro para pagar uma folha de R$ 90.000,00, tributos de R$ 35.000,00 e fornecedores com vencimento semanal.

A penhora não deve transformar a execução em encerramento forçado da atividade. Por isso, o pedido precisa mostrar, com números, qual percentual pode ser retido sem interromper a operação.

Qual é o prazo de defesa e por que os primeiros 10 dias importam

Depois da citação, em regra, a empresa tem 15 dias úteis para apresentar embargos à execução, conforme a modalidade da cobrança e o procedimento aplicado pelo juízo. O bloqueio, contudo, pode produzir efeitos imediatamente.

Nos primeiros 10 dias, a prioridade é obter uma decisão que reduza o dano: limitar o bloqueio, liberar valores essenciais, preservar os repasses de cartão ou aceitar uma garantia substituta. A defesa completa pode exigir mais tempo, especialmente quando depende de análise contábil da evolução da dívida.

Quais pedidos urgentes podem preservar o funcionamento da empresa

Limitação do SisbaJud

Você pode pedir a suspensão total ou parcial do SisbaJud, desde que apresente dois elementos concretos: indícios de irregularidade na cobrança e risco de dano imediato à atividade.

  • Probabilidade do direito: juros compostos sem pactuação clara, tarifas não previstas, erro no saldo ou falta de demonstração adequada da evolução da dívida.
  • Perigo de dano: atraso de salários, interrupção de contratos, perda de fornecedores e impossibilidade de recolher tributos.

Um pedido melhor do que “liberação do caixa” informa, por exemplo, que a empresa precisa de R$ 150.000,00 por mês para manter folha, aluguel, tributos e fornecedores essenciais, propondo a retenção de 25% do faturamento durante 60 dias.

Liberação parcial dos recebíveis

Quando a adquirente retém os valores, a empresa pode pedir que parte dos recebíveis continue sendo repassada ou que todo o dinheiro seja depositado em conta judicial, com liberação periódica para as despesas comprovadas.

Para sustentar o pedido, reúna contratos com as adquirentes, vendas dos últimos 3 a 6 meses, extratos de repasses e fluxo de caixa diário. Se a empresa recebe R$ 12.000,00 por dia no cartão e precisa de R$ 7.000,00 para despesas operacionais, esse cálculo deve aparecer na petição.

Substituição da penhora por outra garantia

Também é possível oferecer garantia alternativa, como:

  • seguro garantia judicial;
  • fiança bancária;
  • depósito judicial parcial, como 10% a 20% do valor cobrado.

A proposta precisa ser compatível com o débito e com a capacidade financeira da empresa. Uma garantia específica pode reduzir a resistência à liberação do faturamento, porque mantém uma proteção concreta para a execução.

Como montar a petição de urgência em 48 a 72 horas

Quais pontos podem ser questionados na CCB

A defesa inicial pode apontar erros no demonstrativo do banco, juros compostos — anatocismo — sem pactuação clara, tarifas ocultas, encargos não previstos e ausência de documentos que permitam conferir o saldo devedor.

Também pode ser necessário discutir a liquidez do título. A CCB não deve ser tratada como uma planilha unilateral: a empresa precisa conseguir verificar como o saldo foi formado, quais pagamentos foram abatidos e quais encargos foram aplicados. A análise sobre juros compostos e nulidade da dívida está detalhada no artigo CCB, juros compostos e nulidade da dívida.

Que documentos demonstram o risco de paralisação

  • extratos bancários dos últimos 3 a 6 meses;
  • extratos das adquirentes e relatórios de vendas;
  • folha de pagamento e encargos;
  • contas de água, energia, aluguel e fornecedores críticos;
  • boletos e guias de impostos e contribuições sociais;
  • DRE simplificada e projeção de fluxo de caixa para 60 dias.

A petição deve informar a data do bloqueio, o valor retido, o faturamento médio e o custo mínimo para manter a empresa aberta. Pedidos sem valor, prazo ou justificativa dificultam uma decisão objetiva.

Como pedir limites às adquirentes

Indique o nome das empresas envolvidas, seus CNPJs, os contratos e os canais de repasse. O pedido pode determinar que a adquirente retenha apenas o percentual fixado pelo juiz, como 20% dos recebíveis, ou deposite os valores em juízo para posterior liberação mensal.

Também é possível pedir que a execução não provoque, por si só, a rescisão unilateral dos contratos de adquirência, quando isso impediria a empresa de receber pelas vendas realizadas.

O que fazer com sócios, contas e patrimônio durante a execução

As contas da empresa e dos sócios devem permanecer separadas. Transferências incomuns, venda simulada de bens ou retirada de dinheiro sem registro podem ser interpretadas como tentativa de frustrar a execução e aumentar o risco de responsabilização dos administradores.

Se houver contas de investimento ou contas secundárias, a empresa pode demonstrar qual conta concentra a operação diária e pedir que a constrição priorize ativos que não interrompam pagamentos essenciais. Isso não autoriza esconder patrimônio nem deslocar faturamento para terceiros.

Quando houver aval ou fiança, o sócio garantidor também precisa ser incluído na análise. A cobrança pode atingir seu patrimônio conforme a garantia assinada, mas a extensão da responsabilidade depende do contrato, dos encargos exigidos e da forma como a execução foi proposta.

Negociação emergencial: o que colocar na proposta ao banco

Uma proposta útil relaciona pagamento e liberação do caixa. Pode prever entrada de 5% a 10% do valor executado, parcelamento do saldo em X meses, seguro garantia ou bem específico e liberação parcial dos recebíveis enquanto as parcelas forem pagas.

Antes de assinar confissão de dívida ou aditivo, confira se o documento aumenta o saldo, inclui tarifas novas, autoriza bloqueios amplos ou impede discussões sobre cobranças anteriores. Esse cuidado é tratado no artigo confissão de dívida e renegociação PJ.

O que reunir hoje para não perder tempo

  1. Localize a CCB, aditivos, contratos de crédito e demonstrativos do banco.
  2. Baixe os extratos de todas as contas da empresa e das adquirentes.
  3. Calcule o custo mínimo de 60 dias, separando folha, tributos e fornecedores essenciais.
  4. Compare os juros contratados com os efetivamente cobrados e identifique tarifas ausentes do contrato.
  5. Guarde e-mails, mensagens e propostas de renegociação.
  6. Peça cotações de seguro garantia ou fiança bancária, se houver possibilidade financeira.

Com esse material, o advogado pode avaliar embargos à execução, pedido liminar, revisão dos cálculos e negociação simultânea com o banco. A prioridade é protocolar um pedido quantificado antes que a retenção comprometa a folha e os pagamentos essenciais.

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Perguntas frequentes

Qual a diferença entre o prazo de 10 dias e o prazo de defesa (embargos)?

Os primeiros 10 dias são o período útil para medidas urgentes (limitação do bloqueio, liberação parcial e oferta de garantia) para evitar paralisação do caixa. O prazo processual para apresentar embargos à execução costuma ser de 15 dias úteis e trata da defesa de mérito da cobrança.

Que documentos comprovam risco de paralisação e ajudam na liminar?

Extratos bancários recentes, relatórios de repasses das adquirentes, folha de pagamento, guias de tributos e DRE/projeção de fluxo para 60 dias demonstram a necessidade de liberação parcial. Esses documentos permitem quantificar o montante mínimo para manter a operação.

É possível impedir que adquirentes retenham todos os recebíveis?

Sim: o juiz pode determinar retenção parcial dos recebíveis ou depósito em conta judicial com liberação periódica. A petição deve indicar nomes, CNPJs das adquirentes e cálculos que justifiquem o percentual necessário para operar.

Que garantias alternativas costumam ser aceitas para substituir a penhora?

Seguro garantia judicial, fiança bancária e depósito judicial parcial são opções frequentes, desde que compatíveis com o valor exigido e a capacidade da empresa. Propostas objetivas e comprovadas aumentam a chance de liberação do faturamento.

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