Penhora de faturamento no fim do mês: o que fazer nas próximas horas
Se a empresa recebeu uma intimação de penhora de faturamento ou teve dinheiro bloqueado via SisbaJud, você precisa agir no mesmo dia. O objetivo inicial é provar quanto será necessário para pagar salários, encargos e tributos próximos, e pedir ao juiz a liberação desse valor.
Não espere uma solução do gerente. O banco normalmente não pode desfazer o bloqueio sem nova ordem judicial. A defesa deve ser preparada no processo de execução, com documentos e cálculos objetivos.
Quais são as primeiras providências após o bloqueio
Leia a intimação e identifique o prazo
Acesse o processo no PJe, e-SAJ, Projudi ou sistema usado pelo tribunal. Confira a vara, o juiz, o tipo de ordem e o prazo para manifestação, impugnação ou embargos.
O prazo depende da fase do processo e da medida determinada. Por isso, não trate a intimação como simples aviso bancário: ela pode iniciar a contagem de dias úteis para uma defesa que, se perdida, torna o desbloqueio mais difícil.
Descubra quais contas foram atingidas
Consulte todas as contas da empresa, inclusive as usadas para folha de pagamento e tributos. Registre o valor indisponível, o horário do bloqueio e o número da ordem judicial.
Baixe os extratos em PDF e salve telas do internet banking. Se uma conta recebe apenas valores destinados a salários ou serve exclusivamente para pagar tributos, essa movimentação ajuda a demonstrar sua finalidade.
Calcule o valor necessário para os próximos 30 dias
O pedido judicial precisa indicar uma quantia, não apenas mencionar “valores essenciais”. Separe:
- salários, pró-labore e encargos da folha;
- FGTS, INSS e tributos com vencimento próximo;
- datas exatas de cada pagamento;
- saldo disponível e valor efetivamente bloqueado.
Imagine uma empresa de serviços com 18 funcionários, folha de R$ 120 mil, encargos de R$ 45 mil e tributos de R$ 60 mil a vencer em 30 dias. A documentação deve mostrar por que a liberação de R$ 225 mil é necessária, total ou parcialmente.
Organize os documentos em uma única pasta
Separe a relação nominal dos funcionários, a folha atual, os pagamentos agendados, as guias de FGTS, INSS e tributos, os extratos bancários e a comunicação do SisbaJud. Avise os sócios, o financeiro e a contabilidade para evitar informações desencontradas.
Como pedir a liberação urgente de folha e tributos
Tutela de urgência no próprio processo
O advogado pode apresentar uma petição urgente na execução, demonstrando o risco de dano e a plausibilidade do direito. O risco deve ser concreto: salários vencendo em determinada data, guias já emitidas e impossibilidade de movimentar a conta.
A plausibilidade pode envolver excesso de penhora, cobrança acima do saldo correto, irregularidades no contrato ou inadequação do percentual aplicado ao faturamento. A documentação precisa conectar cada alegação a um valor ou documento.
Peça um desbloqueio por valor definido
Uma medida mais convincente é pedir a liberação de quantia calculada para 30 dias. A planilha pode indicar, por exemplo, R$ 120 mil de salários até o dia 5, R$ 45 mil de encargos até o dia 20 e R$ 60 mil de tributos no decorrer do mês.
Você também pode pedir que o bloqueio preserve contas comprovadamente destinadas à folha e aos tributos, mantendo eventual excedente sob constrição. A decisão depende do juiz e da prova apresentada.
Quais documentos costumam ser exigidos
- extratos completos das contas bloqueadas, preferencialmente dos últimos 60 dias;
- folhas de pagamento e relação nominal dos funcionários;
- guias de FGTS, INSS e tributos com vencimento próximo;
- relatório de transferências e boletos agendados;
- contrato social, última alteração e prova dos poderes de representação;
- intimação do bloqueio e comprovante do valor indisponível;
- contrato bancário ou CCB executada e planilha apresentada pelo banco.
Como contestar a própria penhora de faturamento
Percentual excessivo e risco de paralisação
A penhora de faturamento não pode retirar o caixa necessário para a empresa continuar funcionando. Se o banco pretende receber 20% ou 30% do faturamento sem demonstrar que esse percentual é suportável, a empresa pode apresentar fluxo de caixa real e pedir sua redução.
Compare o faturamento mensal com despesas obrigatórias, margem operacional e compromissos já contratados. Se a constrição de R$ 80 mil por mês deixa uma empresa com faturamento de R$ 300 mil sem recursos para pagar uma folha de R$ 120 mil, esse impacto deve aparecer na planilha, e não apenas na argumentação.
Excesso de execução e revisão do débito
Confira se o valor cobrado corresponde ao contrato, aos pagamentos realizados e aos encargos previstos. Em contratos bancários ou CCBs, podem existir juros acima da média de mercado para a operação, capitalização não pactuada de forma clara — o chamado anatocismo — e tarifas ou serviços sem contratação transparente.
Quando houver base documental, a defesa pode apresentar um cálculo alternativo e pedir que a execução prossiga apenas pelo valor efetivamente devido. Veja também o conteúdo sobre anatocismo em CCB PJ e sobre tarifas ocultas em CCB.
Verificação da CCB e dos documentos da execução
Analise se quem assinou tinha poderes de representação, se as assinaturas estão completas e se o banco juntou demonstrativo detalhado da evolução da dívida. Também confira aditivos, garantias, vencimento antecipado e pagamentos já feitos.
Uma falha formal pode afetar a exigibilidade do título. Mesmo quando não elimina o bloqueio de imediato, ela pode reduzir o valor executado ou justificar pedido de substituição e modulação da penhora.
O que negociar com o banco durante a defesa
A negociação pode envolver parcelamento, entrada menor ou substituição da penhora por seguro garantia ou carta fiança. O acordo precisa tratar expressamente do processo e da constrição já determinada.
Se houver consenso, peça a homologação judicial. Uma conversa por e-mail com o gerente não suspende automaticamente a execução nem libera valores bloqueados.
Separe as contas daqui para frente
Use, quando possível, uma conta exclusiva para folha, outra para tributos e uma terceira para a operação geral. Essa separação não impede novos bloqueios, mas facilita a comprovação da origem e da finalidade dos valores.
Em determinadas situações, a empresa pode propor depósito judicial mensal ou uma conta específica, com movimentação controlada, para pagar salários e tributos. A aceitação depende da análise do juiz e da viabilidade financeira apresentada.
Erros que costumam enfraquecer o pedido
- pedir a liberação do “necessário” sem informar valores e datas;
- apresentar apenas prints, sem extratos completos e documentos contábeis;
- confundir penhora de saldo em conta com penhora mensal de faturamento;
- deixar o prazo processual correr enquanto negocia informalmente com o banco;
- afirmar que a empresa será encerrada sem demonstrar o impacto no caixa;
- prometer aos funcionários uma data de pagamento antes da decisão judicial.
Enquanto aguarda a decisão, registre por escrito as comunicações internas sobre o bloqueio e mantenha a contabilidade atualizada. Evite movimentações atípicas ou transferências sem justificativa: elas podem ser interpretadas contra a empresa.
Quando procurar advogado e quais documentos enviar
Procure advogado especializado em execução bancária assim que identificar o bloqueio. Nas primeiras 24 a 72 horas, ele deverá analisar a intimação, conferir o valor cobrado, preparar o cálculo, avaliar a CCB e protocolar o pedido urgente dentro do prazo aplicável.
Envie o número completo do processo, a intimação, o contrato social, os extratos, a folha, as guias próximas, os contratos bancários, as CCBs, os aditivos e as planilhas do banco. O atendimento pode ser feito por videoconferência e com envio seguro dos arquivos, sem necessidade de deslocamento.
Ao escolher o profissional, pergunte sobre experiência em execuções bancárias PJ, bloqueios via SisbaJud e penhora de faturamento. Ninguém pode prometer desbloqueio, mas deve explicar qual documento sustenta o pedido, qual prazo será observado e como o financeiro acompanhará a medida.
O próximo passo é montar hoje uma planilha com folha, encargos e tributos dos próximos 30 dias e encaminhá-la, junto com a intimação e os extratos, para análise jurídica imediata.
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Perguntas frequentes
O que é penhora de faturamento e como difere da penhora de saldo?
Penhora de faturamento é a constrição sobre percentual do fluxo de recebimentos futuros da empresa, aplicada mês a mês. A penhora de saldo incide sobre valores já depositados em contas, sendo medida imediata e pontual.
Quanto tempo tenho para reagir ao bloqueio via SisbaJud?
É essencial agir no mesmo dia ou nas primeiras 24–72 horas, pois prazos processuais podem iniciar com a intimação. O advogado deve conferir o ato, levantar extratos e protocolar pedido de liberação urgente dentro do prazo.
Quais documentos comprovam a necessidade de liberação para folha e tributos?
Extratos bancários dos últimos 60 dias, relação nominal da folha, guias de FGTS/INSS e tributos com vencimento próximo, agendamentos e contrato social. Esses documentos permitem calcular e justificar o valor a ser liberado.
Posso negociar diretamente com o gerente para desbloquear valores?
Na prática, o banco não costuma desfazer bloqueios sem nova ordem judicial, por isso negociações informais não substituem a petição no processo. A alternativa é negociar um acordo formal e pedir sua homologação judicial.