Reportagem Especial: carreira jurídica

 

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(Ter, 07 Jul 2018 12:10:00)

Repórter: Juliana Vieira é advogada há oito anos. Ela tentou seguir a "vida de concurseira", mas a atração pela advocacia falou mais alto... 

Juliana Vieira - advogada 
“Eu me apaixonei! Fiquei um tempo fora de Brasília atuando na área do direito eleitoral, e depois eu retornei para cá, fui trabalhar em um escritório de grande porte, saí e montei o meu, fiquei três anos lá sai e acabei montando meu próprio escritório”.

Repórter: E ser advogado é o sonho de muita gente! O curso de Direito é um dos que figuram nas primeiras posições em diversos vestibulares do país. Juliana conta que no início da carreira estava receosa...

Juliana Vieira - advogada 
“Como minha família não tinha ninguém da carreira né, tem um primo procurador, mas não tem ninguém como advogado, então na minha cabeça eu sempre achava que ia seria muito difícil construir meu nome, construir uma carreira começando do nada. Então eu tinha muito medo de iniciar. Mas depois quando foi trabalhar, me apaixonei mesmo pelos desafios, porque o advogado não tem uma rotina, por mais que planeje o dia a gente não vai saber o que vai acontecer, sempre em contato com o cliente. E é uma rotina muito dinâmica, e você ver o resultado efetivo do seu trabalho no olhar e na satisfação do seu cliente. Isso realmente é... empolga, a gente apaixona pela profissão”.

Repórter: Já a advogada Andressa Ferreira, formada há dois anos, possui parentes que também são advogados. E o interesse pela carreira foi motivado pelos familiares. Ela acredita que fez a opção certa e se considera feliz com a profissão escolhida.

Juliana Vieira - advogada 
“Apesar dos desafios, faz a gente desanimar, pensar algumas vezes. Mas com certeza a paixão pela profissão e o que você faz é uma situação que torna prazeroso. O motivo de ser advogada é gostar da profissão, é um diferencial muito grande, a gente consegue passa por cima dos desafios, enfrentar as questões pertinentes com um olhar mais confiante sabendo que a gente vai conseguir fazer o melhor a cada dia”. 

Repórter: O diretor do curso de Direito da Universidade de Brasília, Mamede Said, explica que além da advocacia existem diversas possibilidades de trabalho para quem se forma em Direito.

Mamede Said - diretor da Faculdade de Direito da Unb 
"O bacharel em direito tem muitas oportunidades no mercado de trabalho, tem uma formação humanística bastante completa e seja na magistratura, no Ministério Público, seja como delegado civil, federal, advocacia pública ou privada, enfim, as oportunidades são muitas. E isso faz com que o bacharel de Direito possa se situar profissional, tenha uma carreira estável, principalmente se ele for oriundo de um curso que lhe permita ter uma formação bastante consistente e curso com indicadores de desempenho na área da pesquisa e respeito pelo mercado de trabalho em relação a formação acadêmica e profissional do bacharel em direito".

Repórter: No Brasil existem cerca de um milhão de advogados, de acordo com os últimos números divulgados pela Ordem dos Advogados do Brasil. Para o desenvolvimento da carreira é preciso fazer a prova da OAB, que habilita e regulamenta a profissão, e assim conseguir autorização para trabalhar como um profissional habilitado. Os advogados podem atuar por conta própria, sendo categorizados como liberais autônomos, ou em empresas, como empregados comuns.

Apesar do alto índice de formandos a cada ano, a advogada Juliana Vieira  acredita que profissionais dedicados e que desempenham o trabalho com excelência conquistam boas colocações no mercado de trabalho:

Juliana Vieira - advogada 
“Você vê que tem espaço e que você consegue construir seu nome, sua história, uma cartela de clientes sólida, pra você seguir com a profissão. Então assim, a concorrência existe, mas só quem se destaca no mercado são as pessoas que realmente prestam um serviço efetivo e de qualidade ”.

Repórter: O dia do advogado também é conhecido como dia do pendura. No início do século XX, ainda com as primeiras faculdades de Direito, os comerciantes deixavam os estudantes, futuros advogados, comerem de graça, como parte da comemoração e para atrair e fidelizar clientes. A prática já não existe mais, mas a “fama” ficou. A advogada Andressa Ferreira explica:

Andressa Ferreira - advogada 
“Essa pendura só existe nas histórias, na verdade não podemos agir dessa forma né? Até porque estamos do lado da lei e não seria permitido. Mas eu comemoro com grandes desafios, todo dia enfrentamos os desafios da profissão, mas com extrema felicidade de poder contribuir de certa forma para melhorar a vida das pessoas, auxiliar nos problemas”. 

Repórter: Os advogados recebem honorários, uma porcentagem sobre o valor da causa, paga em decorrência do serviço prestado. Mas existem outras formas de remuneração para esses profissionais, como explica a advogada e professora de Direito da Universidade de Brasília, Suzana Viegas.

Suzana Viegas - advogada e professora de direito
"A remuneração do advogado pode se dar de várias formas, as principais são: se for contratado por uma empresa, ele certamente terá que receber um salário, contrato de trabalho, e com horário a ser cumprido. Se for profissional liberal autônomo, os honorários, a remuneração, é fixada pela tabela da OAB, cada estado tem sua tabela. Aqui no DF temos tabela específica. E cobramos nossos honorários de acordo com as regras específicas dessa tabela".

Repórter: Na área trabalhista, o artigo 791-A da Lei 13.467/2017 assegura que a parte vencida em um processo deve repassar ao profissional de 5 a 15% sobre o valor que resultar da liquidação da sentença. São os chamados honorários de sucumbência. Para a fixação do valor é levado em conta o zelo do advogado, o lugar da prestação do serviço, a natureza e a importância da causa, o trabalho realizado e o tempo exigido para o serviço. Caso a sentença seja concedida parcialmente, o juízo deve determinar honorários de sucumbência recíproca, vedada a compensação entre os honorários.

E quando a parte vencida é beneficiária da justiça gratuita há uma regra específica. Desde que não tenha obtido em juízo créditos capazes de suportar a despesa, as obrigações decorrentes dos honorários de sucumbência só poderão ser executadas se, nos dois anos seguintes ao trânsito em julgado da decisão, o credor demonstrar que deixou de existir a situação de insuficiência de recursos que justificou a concessão de gratuidade.


Reportagem: Dalai Solino
Locução: Dalai Solino

 
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Data Publicação: 07/08/2018 15:10:00

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